Colaboração: Elaine Barth

"Encontrei este texto no Correio Braziliense de 01/05;05. O tema enochato é interessante, não é mesmo? Qual a sua opinião?"

São apenas quatro aulas, uma por semana, com uma parte teórica e outra de degustação. Os alunos, homens e mulheres em igual proporção, têm, em sua maioria, entre 20 e 50 anos. O professor é francês, e fala com sotaque, o que dá um certo charme e credibilidade ao curso. Os participantes parecem estar diante de um padre, e absorvem suas palavras como a verdade absoluta, apesar da humildade do professor, que ressalta que é preciso desmistificar o vinho e que o grande critério para qualificar a bebida é “eu gosto ou não”. Na hora da degustação, a maioria fica intimidada. Sérios, eles observam o vinho, cheiram demoradamente, fazem cara de dúvida e respondem com receio às perguntas do professor: “Quais os aromas que vocês estão notando?” Diante de respostas como frutas vermelhas ou bananas, fazem cara de que estão concordando, mas sem muita convicção.

O Professor é o enólogo Grégoire Gaumont, 29 anos. Ele explica que a intenção do curso é abordar todos os aspectos mais importantes do vinho “sem complicação, tentando democratizá-lo”. “Os alunos chegam com medo por causa da elitização do assunto, já que não faz parte da cultura brasileira o conhecimento sobre a bebida”, afirma. Ele conhece as limitações das aulas: “A maioria dos alunos quer aprender como escolher um vinho e como harmonizá-lo com a comida. Isso é um assunto para a vida toda, não dá para entrar em detalhes em apenas algumas horas”, explica.

O chef de cozinha Rodrigo Sanches, 33 anos, é a favor dos cursos de iniciação, já que “é importante que as pessoas tenham um pouco mais de informação sobre como escolher um vinho”, ressalta. “Não existe gastronomia sem vinho. E é preciso saber fazer as escolhas adequadas para o que se vai comer”, explica. Mas, segundo ele, é preciso não cair na tentação de se transformar num enochato, aquelas pessoas que fazem um curso e ficam discutindo duas horas sobre um vinho, “sentindo cheiro de bala toffel, chuva que está por vir, tentando decifrar o código de da Vinci da bebida”, brinca. Ele, que é um autodidata no assunto por fazer degustações diárias, aconselha: “O vinho é um momento de prazer, por isso é preciso aprender como apreciá-lo, e não decifrá-lo”